Lúcia Araújo leva primeira medalha brasileira no judô paralímpico na Rio 2016
Flávia Villela - Repórter da Agencia Brasil
Judoca brasileira perdeu a final para a ucraniana Inna Cherniak, que ficou com o ouro Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Brasil conquistou a primeira medalha no judô paralímpico no Rio de Janeiro. A judoca Lúcia Araújo Teixeira ganhou a prata na disputa com a ucraniana Inna Cherniak, que ficou com o ouro na categoria até 57 quilos, nesta tarde de sexta-feira(9), na Arena Carioca 3 do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.
Competiram na primeira fase os judocas brasileiros Abner Nascimento de Oliveira, na categoria até 73 quilos, que perdeu para Mauricio Briceno, da Venezuela, Harley Damião Pereira Arruda, na categoria até 81 quilos, que perdeu para José Effron, da Argentina.
Maior campeão paralímpico, o brasileiro Antônio Tenório, compete na primeira fase neste sábado (10) de manhã contra o alemão Oliver Upman, na categoria até 100 quilos. Responsável pela primeira medalha de ouro brasileira, em Atlanta, Estados Unidos, nos Jogos de 1996, Tenório tem quatro medalhas de ouro e uma de bronze. Também sábado às 10h10, o judoca Wilians Silva de Araujo enfrenta o iraquiano Garrah Albdoor nas quartas de final, na categoria acima de 100 quilos.
No judô feminino até 70 quilos, Alana Maldonado Martins compete nas quartas de finais com a britânica Natalie Greenhough. Na categoria acima de 70 quilos, Deanne Silva de Almeida disputa as quartas de final com a norte-americana Sarah Chung.
Os atletas brasileiros participam em 12 categorias do judô e a expectativa da seleção é que possam conquistar de duas a três medalhas. No total, o judô já rendeu ao Brasil 18 medalhas na história dos Jogos, sendo quatro de ouro (todos conquistados por Antônio Tenório), cinco de prata e nove de bronze. Na Olimpíada de Londres, em 2012, o judô conquistou uma medalha de prata e três de bronze.
O judô passou a ser disputado nos Jogos Paralímpicos de Seul, em 1996. As mulheres só passaram a competir nas Paralimpíadas nessa modalidade nos Jogos de Atenas, em 2004.
Judô paralímpico
No judô paralímpico, há três categorias – B1 (cego total), B2 (percepção de vultos) e B3 (com definição de imagens) – cada uma com diferentes graus de acuidade visual – e as três disputam entre si em suas respectivas categorias de peso. Em função disso, o judô paralímpico já começa na posição da pegada, Kumikata, para que os que têm menor grau de visão não sejam prejudicados.
Paralimpíada é aberta com emoção, luzes, dança e música brasileira
07/09/2016 22h59
Rio de Janeiro
Marcelo Brandão e Vinícius Lisboa - Repórteres da Agência Brasil
A organização da cerimônia de abertura usou muitos recursos de projeção de luz para simular cenários e interagir com os figurantes Tomaz Silva/Agência Brasil
Foi mais uma bela festa no Maracanã. Com intensa participação do público, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 foram abertos. Teve dança, muita música brasileira e momentos emocionantes. O espetáculo, dirigido por Vik Muniz, Marcelo Rubens Paixa e Fred Gelli, alternou momentos de muita intensidade com calmaria.
Assim como nas cerimônias dos Jogos Olímpicos, a organização usou muitos recursos de projeção de luz para simular cenários e interagir com os figurantes. No final, o nadador Clodoaldo Silva acendeu a pira paralímpica e deu início aos jogos.
Megarrampa
No início da festa o cadeirante norte-americano Aaron “Wheelz” desceu uma megarrampa erguida no Maracanã. Não houve qualquer pausa para aumentar a tensão. Tão logo os holofotes miraram em “Wheelz”, ele desceu a rampa e passou por dentro de um círculo. O círculo disparou fogos de artifício enquanto o atleta dava uma pirueta no ar com sua cadeira. Foi o início da cerimônia, que levou o público à loucura no Maracanã.
O Hino Nacional foi executado pelo renomado pianista e maestro brasileiro João Carlos Martins. Mundialmente reconhecido por sua habilidade, o maestro e pianista tem as mãos parcialmente atrofiadas por uma série de problemas físicos. Enquanto tocava o hino ao piano, figurantes com guarda-sóis fizeram desabrochar a bandeira brasileira no campo do Maracanã. Mais um momento de muitos aplausos no estádio praticamente lotado.
As peças de quebra-cabeça, que traziam os rostos dos atletas estampados, formaram um coração no meio do campoTomaz Silva/Agência Brasil
A própria organização da cerimônia admite que a entrada das delegações é um dos momentos mais difíceis, pelo desafio de manter o público interessado. Para minimizar o desafio, os idealizadores pensaram em uma interação dos atletas com a cerimônia. Entrando depois de apenas meia hora de espetáculo, cada uma das delegações trouxe uma peça de quebra-cabeça.
A delegação brasileira entrou por última, às 20h30 e o público celebrou como se fosse uma final de Copa do Mundo. Para a entrada da delegação anfitriã, última a entrar no estádio, foi executada uma música diferente de todas as outras. O Homem Falou, de Gonzaguinha. O público pulou e celebrou os atletas brasileiros ao som do refrão “a festa vai apenas começar”. Os 286 atletas e comissão técnica do Brasil revigoraram o ânimo do público.
Juntas, as peças de quebra-cabeça, que traziam os rostos dos atletas estampados, formaram um coração no meio do campo. Com ajuda de projeções de luz, o coração parecia pulsar diante dos olhos de todos. Um festival de fogos iluminou os céus do Rio de Janeiro, em mais um momento de arrepiar.
Nuzman exalta povo brasileiro
Em seu discurso, o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, falou em construção de um mundo novo, onde não haja diferenças entre as pessoas. “Celebramos um novo desafio, construir um mundo novo. Mais justo e fraterno, onde todos possam caminhar, lado a lado sem obstáculos. É uma lição difícil, que nos faz mais fortes. Quando todos duvidam, nós brasileiros crescemos. Somos o país das realizações impossíveis. Estamos juntos pela igualdade entre as pessoas. Gente que mesmo parecendo diferente tem o mesmo coração”, disse.
O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Phillip Craven, exaltou os atletas paralímpicos. “Eles vão te surpreender. Mais que tudo, vão mudar vocês. Vocês verão obstáculos como oportunidades e no Rio terão a oportunidade de fazer um mundo mais justo. Seus valores deixam claro o que vocês apoiam e quem vocês são. Com seu desempenho, contem sua história, como a esperança sempre vence o medo. Somos parte de um só mundo”.Quando agradeceu aos governos federal, estadual e municipal, o público vaiou. Foram ouvidas vaias, aplausos, gritos de Brasil, “Fora Temer” e assobios. O presidente do comitê ficou em silêncio por instantes enquanto a arquibancada mostrava diferentes tipos de reação. Ele olhava para o público e apenas esperou. Depois, retomou sua fala dizendo que terminava o discurso de coração aberto para os atletas e foi muito aplaudido.
Ao som de Sergio Mendes tocando Edu Lobo, a atleta e bailarina norte-americana do snowboard, Amy Purdy dançou com um robô Tomaz Silva/Agência Brasil
Balé paralímpico
Ao som de Sergio Mendes tocando Edu Lobo, a atleta e bailarina norte-americana do snowboard, Amy Purdy, encantou o público com uma coreografia que incluiu samba e ritmos mais lentos. Amy dançava com graça e leveza usando próteses nas duas pernas. Seu parceiro era um robô fabricado por uma empresa alemã. A máquina conseguiu acompanhar a atleta nos passos mais lentos, mas quando o gingado tomou conta da coreografia, o robô não a acompanhou e a atleta saiu muito aplaudida.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o revezamento da tocha e acendimento da pira. A ex-atleta brasileira Márcia Malsar levou a tocha por parte do campo do Maracanã. Ela fez parte da delegação brasileira que ajudou a impulsionar o esporte paraolímpico com a boa campanha nos Jogos de Nova York/Stoke Mandeville-1984.
Márcia, que tem paralisia cerebral, caminhava com muita dificuldade, mesmo com auxílio de uma bengala. Chovia bastante na hora. No meio do trajeto, Márcia caiu no chão. No mesmo instante em que era ajudada a se levantar, o público ficou de pé e começou a aplaudir a ex-atleta.
A para-atleta pegou a tocha do chão e se levantou devagar, muito aplaudida. Cada passo restante era acompanhado pelas palmas do público até que ela entregasse a tocha para a ex-velocista Ádria Santos.
A pira paralímpica
A pira foi acessa pelo nadador brasileiro Clodoaldo Silva
Reuters/Sergio Moraes/Direitos Reservados
O escolhido para fechar o revezamento foi o nadador brasileiro Clodoaldo Silva. Com a tocha em mãos, o nadador se aproximou da escadaria que dava acesso à pira e olhou para o público, como se perguntasse como subiria com sua cadeira de rodas. Então, a escadaria se abriu e transformou-se em uma rampa e Clodoaldo pode chegar à pira, igual à utilizada nos Jogos Olímpicos.
O nadador brasileiro, que faz sua última Paralimpíada no Rio de Janeiro, tem treze medalhas em quatro edições dos jogos. Perto das 22h, Clodoaldo acendeu a pira, sob aplausos de um público muito participativo durante grande parte do evento. A cerimônia terminou com as músicas E Vamos à Luta, de Gonzaguinha e É Preciso Saber Viver, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
Mosaico gigante de bandeiras pedindo paz é exposto no Cristo Redentor
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
O mosaico é formado por bandeiras feitas por estudantes de todo o paísAlex Ferro/Divulgação: Rio 2016
Parte dos eventos comemorativos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, um mosaico de 685 metros quadrados com bandeiras feitas por estudantes foi estendido hoje (5) aos pés da estátua do Cristo Redentor, um dos símbolos da cidade do Rio de Janeiro, com a mensagemChildren must play (Crianças devem brincar).
O bandeirão quadrado faz parte do Desafio da Trégua Olímpica, do programa de educação Transforma, do Comitê Rio 2016. São quase 500 bandeiras, o que representa a contribuição e o esforço conjunto das crianças e dos jovens de todo o Brasil na construção de um mundo mais pacífico.
A exibição no Cristo Redentor dá início à passagem do mosaico por outros locais emblemáticos do Rio de Janeiro. Na próxima sexta-feira (9), o mosaico será exposto no Estádio do Maracanã.
Mais de 640 escolas de mais de 290 municípios em 20 estados brasileiros participaram da confecção do trabalho, parte do Desafio da “Trégua Olímpica – Eu Construo a Paz”.
Como o mosaico é modular, é possível aumentá-lo ou diminuí-lo conforme a necessidade. A Trégua Olímpica é um movimento internacional que usa o esporte para promover a paz. Instituições de ensino do país inteiro participar, e as 10 mais votadas serão premiadas com uma réplica da tocha olímpica.
*O texto foi alterado às 19h23 para correção de informação no terceiro parágrafo
Edição: Nádia Franco
domingo, 4 de setembro de 2016
Fogo paralímpico encanta pacientes do Sarah do Lago Norte
A chama chegou por volta das 11h30 desta quinta (1º) no hospital de reabilitação, onde foi recebida com aplausos e curiosidade
MARYNA LACERDA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA
Depois de ser acesa no Parque da Cidade e seguir em comboio para o Lago Norte, a chama paralímpica chegou à unidade da Rede Sarah na QI 13. Sob aplausos e com curiosidade, em especial das crianças, o símbolo chegou ao hospital de reabilitação por volta das 11h30 e percorreu as alas de atendimento, da pediatria à adulta. Antes, passou pelo Parque das Garças, na QI 15, em ação de patrocinadores do revezamento.
A chama chegou por volta das 11h30 no hospital de reabilitação,onde foi recebida com aplausos e curiosidade. Foto: Tony Winston/Agência Brasília
A tocha chegou ao Sarah de barco e foi levada à piscina infantil, onde crianças faziam hidroterapia. Dali, passou às mãos do advogado e servidor público João Luiz da Cunha, de 54 anos, que seguiu com ela para a área de hidroterapia para adultos. No percurso, Cunha, que teve alta do hospital em 2003, também interagiu com pacientes na aula de capoeira.
Na sequência, o fogo paralímpico foi entregue a Mariana Guedes, de 19 anos, jornalista e paciente já reabilitada há sete meses. Mariana conduziu a chama até a pista de dança, para que um grupo de pacientes interagisse com o símbolo do espírito paralímpico.
No ginásio do Sarah, o professor de basquete adaptado Frederico Neto apresentou a tocha à equipe do hospital. No jardim de entrada, o árbitro de futebol de cinco Lúcio Morgado recebeu a chama e a levou até à área externa do centro de reabilitação. De lá, a tocha seguiu de carro para o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).
Inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek em 21 de abril de 1960, o então Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek foi criado para ser uma instituição de referência no acompanhamento e recuperação de pacientes com problemas de mobilidade. A partir de 1993, já como Rede Sarah, inicia a expansão para outras unidades da Federação, com a primeira filial em São Luís (MA). As outras estão em Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).A diretora-executiva do Sarah, Luciana Rossi, acredita que, ao aproximar os pacientes em reabilitação dos preparativos para a Paralimpíada, estimulam-se a capacidade de superação de lesões e a retomada da qualidade de vida. “Nós recebemos os pacientes no momento inicial do quadro clínico e não preparamos um atleta, mas mostramos caminhos para que eles sigam no esporte no futuro.”
Passagem da tocha pelo Icep Brasil
Do Sarah, a tocha paralímpica seguiu para o Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil (Icep Brasil), no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), onde chegou às 13h49. Dentro da instituição, foi conduzida pelo presidente, Sueide Miranda. “Trabalho há 28 anos com pessoas com deficiência e sei que o para-atleta é um perfeccionista por natureza.” Ainda no interior do Icep Brasil, ele passou a chama para o jornalista Kaíque Ferreira, que a levou para fora do prédio.
O comboio seguiu, então, para a Escola Nacional de Administração Pública e a Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial, ambas no Setor Policial Sul. Antes de voltar às 16h15 para o Parque da Cidade, passará pelo Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na Asa Sul.
EDIÇÃO: RAQUEL FLORES
sábado, 3 de setembro de 2016
02/09/2016 11h17 - Atualizado em 02/09/2016 22h10
Abertura da Paralimpíada vai quebrar
preconceitos, dizem organizadores
Diretor do espetáculo, Flávio Machado, quer desmontar ideias estabelecidas. 'Trabalhamos em conceito que é desmontar preconceito com a deficiência'.
Os organizadores das cerimônias de abertura e encerramento da Paralimpíada do Rio de Janeiro prometem surpreender os espectadores e afirmam que não deixarão nada a dever aos espetáculos da Olimpíada. A primeira festa acontece no dia 7 de setembro, às 18h15, no Estádio do Maracanã, na Zona Norte do Rio.
"Minha preocupação era oferecer o mesmo nível das cerimônias olímpicas. E isso começa na escolha dos diretores. A gente também herda equipes das cerimônias olímpicas. Trabalhamos em um conceito forte que é desmontar o preconceito com a deficiência", explicou Flávio Machado, diretor executivo do espetáculo.
Prometendo uma cerimônia humana e multissensorial, Fred Gelli, um dos diretores criativos do evento, explica que eles vão tentar emocionar o público que vai assistir ao evento.
"O mundo paralímpico é inspirador e desmonta ideias estabelecidas. Tentamos trazer a potência da inspiração que essas pessoas proporcionaram. A cerimônia tenta passar a energia que essas pessoas têm", destacou Gelli.
O escritor Marcelo Rubens Paiva, também diretor criativo do evento, começou a se encantar com a causa paralímpica em Atenas. Ele considera a abertura como um meio de falar com todos os deficientes e quem é envolvido com esta causa.
"A cerimônia paralímpica é uma bandeira da total demonstração de respeito pelo outro. Eu gosto mais das cerimônias paralímpicas do que as olímpicas. Nas olímpicas você está focado na história e nos ícones do país, mas podemos focar na humanidade", explicou Rubens Paiva.
O escritor adiantou ainda que o início merece a atenção especial e um segmento falará sobre as praias do Rio. Além de Marcelo Rubens Paiva e Fred Gelli, o artista plástico Vik Muniz também faz parte da direção criativa do evento.
Flávio Machado adiantou ainda que o evento contará com uma roda de samba com Diogo Nogueira, Pretinho da Serrinha, Monarco, Xande de Pilares e Gabrielzinho do Iraja, que é deficiente visual.
O evento contará com a participação de 2 mil voluntários, 78 bailarinos profissionais, duas companhias de dança inclusiva e outros 500 profissionais diretos.
A medalhista olímpica Amy Purdy também terá um papel importante na cerimônia de abertura. Biamputada aos 19 anos após enfrentar uma meningite bacteriana, ela é snorboarder e medalhista paralímpica. Foi definida por Marcelo Rubens Paiva como a "nossa Gisele Paralímpica".
"Eu terei uma participação especial no evento, que será longa e desafiadora para os meus limites. A minha mensagem é a integração entre o homem e a tecnologia e como podem trabalhar juntos", contou Amy.
1/9/1617:43 Tocha paralímpica é recebida com emoção em centro de ensino para pessoas com deficiência
Antes, chama passou pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e pela Associação do Centro de Treinamento Físico Especial (Cetefe)
GUILHERME PERA E MARYNA LACERDA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA
A entrada do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na 612 Sul, ficou cheia para receber a tocha paralímpica, que chegou às 15h33. O artefato foi carregado por três condutores e emocionou dezenas de pessoas na instituição. Houve ainda apresentação musical de alunos da unidade.
O primeiro a conduzir o símbolo foi o estudante de direito Luiz Romão Pariz, de 27 anos, cadeirante há 10, selecionado pelo patrocinador para quem trabalha. “O esporte ajuda demais na autoestima, e os para-atletas não têm o mesmo apoio dos não deficientes. Participar disso é emocionante demais.”
A atleta de golbol e estudante do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais Kátia Aparecida leu a frase “A igualdade é o nosso ponto de partida na vida e no esporte”, formulada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e escrita em braile. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília
De Luiz, a tocha seguiu para Kátia Aparecida, de 21 anos, estudante do centro e atleta de golbol. Com o artefato em mãos, ela prestigiou a performance musical dos colegas e leu a frase “A igualdade é o nosso ponto de partida na vida e no esporte”, formulada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e escrita em braile. A última condutora foi Glaci Silva, de 38 anos, acolhida há 10 anos no Abrigo Esperança, instituição filantrópica que recebe pessoas com deficiência. Glaci não fala.
O Centro de Ensino Especial de Deficientes foi fundado em 1985. Tem mais de 400 alunos matriculados, encaminhados por outras escolas e por unidades de saúde. Atende estudantes a partir de 6 meses até idosos. E, nos Jogos Paralímpicos de 2016, tem um representante: Leomon Moreno, da seleção brasileira de golbol. Artilheiro do mundial de golbol de 2013, Leomon foi eleito o melhor para-atleta brasileiro de 2014.
Acompanhou a passagem da tocha pelo centro o secretário de Educação, Júlio Gregório Filho, entre outras autoridades. Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão de 7 a 18 de setembro, no Rio de Janeiro.
Tocha paralímpica na Enap e na Cetefe
Antes do Centro de Ensino Especial de Deficientes, a tocha paralímpica passou pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e pela Associação do Centro de Treinamento Físico Especial (Cetefe), ambas no Setor Policial Sul.
O servidor público e goleiro de futebol de cegos João Rabelo Ferreira foi o primeiro a conduzir a tocha na Escola Nacional de Administração Pública. Foto: Tony Winston/Agência Brasília
O revezamento da tocha chegou à Enap por volta das 14h30. O primeiro a conduzi-la no local foi o servidor público e goleiro de futebol de cegos João Rabelo Ferreira. Ele partiu da entrada da escola e seguiu pela área externa até a Cetefe. Servidores da Enap, alunos e familiares de estudantes que treinam na instituição acompanharam bastante animados o percurso.
Ferreira passou a chama para o professor e atleta de natação Jaime de Almeida, de 33 anos. Ele descobriu o esporte em 2007, sete anos depois de ser diagnosticado com câncer no joelho e ter a perna direita amputada. Hoje, ele compete nos 100 metros rasos estilo peito. Para Almeida, carregar a tocha é emocionante. “Estava ansioso. Na hora que a peguei, senti uma alegria muito grande”, conta. Segundo ele, o fato de o País sediar uma Paralimpíada é fundamental para o desenvolvimento do paradesporto. “O Brasil vai se tornar uma vitrine e isso vai trazer melhorias para o paradesporto”, afirma.
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Almeida cruzou o campo de futebol e entregou a chama à atleta Maria Fernanda Alves, de 16 anos. Ela treina na Associação do Centro de Treinamento Físico Especial há quatro anos e está se preparando para o próximo ciclo olímpico. “Meu sonho é participar das próximas Paralimpíadas, em Tóquio. Estou treinando para isso.”
No ginásio da Cetefe, Maria Fernanda entregou a tocha ao atleta de parabadminton Rômulo Soares para o encerramento da atividade. Também participaram da cerimônia a secretária do Esporte, Turismo e Lazer, Leila Barros, o secretário de Educação, Júlio Gregório Filho, o responsável técnico da Cetefe, Ulisses Araújo, e o presidente substituto da Enap, Paulo Marques.
O que é o Cetefe
A Associação do Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) é uma organização não governamental que tem um termo de cooperação técnica com a Secretaria de Educação do DF para atendimento dos estudantes da rede pública com deficiência, a partir dos 4 anos de idade. O convênio estabelece a atuação de 15 professores com formação especializada em esportes adaptados. Além disso, educadores físicos da Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer atuam no centro. São oferecidas 16 modalidades em três turnos. A quantidade de vagas depende do esporte escolhido. Hoje, a Cetefe tem 1.545 cadastrados.