terça-feira, 30 de agosto de 2016


Tudo pronto para a passagem da tocha paralímpica por Brasília

Serão 103 condutores que se revezarão em sete pontos da capital


A tocha paralímpica passará por Brasília na quinta-feira (1° de setembro). Assim como ocorreu com o fogo olímpico em 3 de maio, o Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a receber o que marca a chegada dos Jogos ao Brasil.tocha paralímpica passará por Brasília nesta quinta-feira (1° de setembro). Assim como ocorreu com o fogo olímpico em 3 de maio, o Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a receber o que marca a chegada dos Jogos ao Brasil.                                 “Esse é outro evento muito especial, que significa a continuidade do momento histórico que o Brasil está vivendo”, disse a secretária do Esporte, Turismo e Lazer, Leila Barros, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (30) para apresentar a organização do revezamento. 
O artefato será levado ao Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, ao Parque das Garças, à unidade da Rede Sarah do Lago Norte, ao Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência (Icep), no Setor de Indústria e Abastecimento; à Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e à Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe), ambas no Setor Policial Sul, e ao Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), na Asa Sul.
Depois, a tocha voltará ao Parque da Cidade, onde haverá a festa de encerramento. O ponto de chegada e de partida será o Estacionamento 12, que está fechado desde o dia 25 para montagem da estrutura. Serão, apenas no local, 82 condutores (dos 103), que se revezarão pelo percurso de 10 quilômetros na pista de caminhada.

Atrações musicais no Parque da Cidade para encerrar o revezamento

O Parque da Cidade é o local mais indicado para quem quer ver de perto o revezamento, já que a maior parte dos outros locais continuará com as atividades ocorrendo normalmente.

Mapa do revezamento da tocha paralímpica
Mapa do revezamento da tocha paralímpica
O protocolo inicial começará às 9h30, com acendimento virtual da chama por meio de mensagens enviadas pela internet por pessoas do mundo inteiro. “As mensagens vão aparecendo em um grande painel eletrônico e em um determinado momento será acesa a pira paralímpica”, explica a secretária. Ao fim do evento em Brasília, a pira será apagada, e a chama voltará a ser virtual, para que seja reacesa em Belém (PA).
O comboio para as visitas da tocha sairá do estacionamento às 10h05 e retornará às 16h15. A partir de então, cada condutor percorrerá, em média, 120 metros.
As atividades culturais, no Estacionamento 12, terão início às 15h45. Cinco atrações locais passarão pelo palco (Josué do Cavaquinho, Namastê, Nó Cego, Luna Cavalcante e Surdodum). O cachê de R$ 7,5 mil, proveniente de patrocínio, será dividido entre os artistas. Da Secretaria de Cultura, o investimento é de R$ 104.840,17 para itens como transporte, alimentação, camarim e banheiro químico.

Linha especial de ônibus da Rodoviária do Plano Piloto para o Parque da Cidade

Para facilitar o acesso de quem for acompanhar o evento a partir das 15h45, a linha de ônibus 109 fará, da 15 às 21 horas, o trajeto da Rodoviária do Plano Piloto ao Parque da Cidade — ida e volta. O preço da passagem será o mesmo cobrado nos jogos da Olimpíada na capital: R$ 2,25.
O planejamento para a passagem da tocha paralímpica por Brasília contará com 250 profissionais das forças de segurança e do DER-DF
Não haverá interdição de vias em Brasília. Além do Estacionamento 12 do Parque da Cidade, já isolado, ficará fechado, à 0 hora de quinta-feira (1º), o Estacionamento 13 — que será exclusivo para pessoas com deficiência, autoridades, condutores e equipe organizadora — e os estacionamentos de frente ao Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência e ao Parque das Garças.

Efetivo da segurança e do DER-DF

O planejamento para a passagem da tocha paralímpica por Brasília contará com 250 profissionais das forças de segurança e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF). Serão 28 militares do Corpo de Bombeiros, 120 da Polícia Militar, 30 agentes do Departamento de Trânsito e 20 do DER. A Polícia Civil reforçará com 50 agentes o atendimento na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), responsável pela área onde está o Parque da Cidade. Segundo a secretária da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar Araújo, o quantitativo pode aumentar conforme a quantidade de público.

      Seis cidades brasileiras receberão a passagem da chama

Cada uma das seis cidades brasileiras que receberão o revezamento da tocha escolheu um valor dos Jogos Paralímpicos para representar. Brasília terá como tema a igualdade. Na capital federal, o mensageiro do tema será Ulisses de Araújo, professor da Secretaria de Educação e fundador da Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial. Araújo é consultor da implementação de acessibilidade nos centros olímpicos e paraolímpicos do DF e quem elaborou a lei distrital do programa Bolsa Atleta Paralímpico.


Ouro em Londres, Yohansson do Nascimento recebeu a chama do presidente da República interino, Michel Temer
TOCHA PARALÍMPICA É ACESA NO PALÁCIO DO PLANALTO
CELEBRAÇÃO NA ESPLANADA FECHA O REVEZAMENTO DO FOGO OLÍMPICO EM BRASÍLIA

LEIA T
O revezamento da tocha, segundo Leila Barros, será feito não apenas por pessoas com deficiência, mas também por envolvidos com o evento. O governo de Brasília ficou responsável pela indicação de vinte condutores. O restante foi escolhido pelos Comitês Paralímpico Brasileiro e Internacional, pelo Comitê Rio 2016, pelo governo federal e por patrocinadores.
Em 2 de setembro, o revezamento seguirá para Belém (PA); no dia 3, para Natal (RN); no dia 4, para São Paulo (SP); no dia 5, para Joinville (SC); e no dia 6 chegará ao Rio de Janeiro (RJ), onde o trajeto será encerrado na cerimônia de abertura do torneio.
Também estiveram na entrevista coletiva os secretários de Mobilidade, Marcos Dantas; do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Antônio Gutemberg Gomes de Souza; e de Cultura, Guilherme Reis; além do secretário adjunto de Educação, Clovis Lucio da Fonseca Sabino.
EDIÇÃO: MARINA MERCANTE

domingo, 28 de agosto de 2016

Mais de 35% dos atletas da Paralimpíada são vítimas de acidentes

  • 28/08/2016 08h15
  • Brasília
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil
Dos 285 atletas brasileiros que participarão dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro 2016, 101 (35,4%) sofreram algum tipo de acidente, seja de carro, moto, com arma de fogo ou de trabalho. Os dados são de um levantamento feito pela Agência Brasil com base em informações fornecidas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

Entre os acidentados, grande parte (49) é vítima de acidente de trânsito (carro, moto ou atropelamento). Outros 12 atletas têm sequelas de lesões feitas por armas de fogo, seja em acidentes ou assaltos. Nove ficaram paralisados depois de acidentes em mar ou piscina e seis sofreram acidentes de trabalho. Também há atletas que sofreram outros tipos de acidentes, como quedas, acidentes esportivos e até ferimento por ataque de cachorro.

Um dos casos de atletas acidentados é o do ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube Bruno Landgraf, atleta da vela adaptada, que chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira de futebol nas equipes Sub-17 e Sub-20. Em 2006, o jogador sofreu um acidente de carro na Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, e teve um deslocamento na coluna, que o deixou tetraplégico. O judoca Harley Arruda, que ganhou medalha de bronze nos dois últimos jogos Parapan-Americanos, perdeu a visão dos dois olhos em 1999, em um acidente com arma de fogo.

Outros 89 atletas paralímpicos brasileiros têm algum problema congênito que causou deficiências como cegueira ou má formação de membros. É o caso da multimedalhista do atletismo Terezinha Guilhermina, que nasceu com retinose pigmentar, uma doença congênita que provoca a perda gradual da visão.

Também há na delegação brasileira 67 atletas que tiveram alguma doença que deixaram sequelas, como a poliomielite, que afetou 13 atletas. Um deles é o nadador André Brasil, que teve poliomielite aos três meses de idade, por causa de uma reação à vacina, o que deixou uma sequela na perna esquerda.

Entre os atletas paralímpicos brasileiros também há 28 que tiveram paralisia cerebral por causa de complicações no parto. Este é o caso da maioria dos atletas da seleção de Futebol de 7, que é uma modalidade específica para atletas com paralisia cerebral.

Dos 24 atletas do vôlei sentado que vão participar da Paralimpíada, 16 têm sequelas de acidentes, a maioria acidentes de trânsito. Na opinião do presidente da Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes, Amauri Ribeiro, o esporte é a melhor ferramenta para garantir a reinserção dos deficientes físicos, especialmente no caso de acidentados. Para ele, mesmo que a pessoa não se torne um atleta, a prática de esporte é fundamental para o resgate da autoestima.

“O que eu testemunhei nesses meus 12 anos de trabalho com eles é que o esporte, principalmente no caso do vôlei, foi a melhor ferramenta de reinserção dessas pessoas a um convívio normal após o acidente, em função de o esporte ser uma ferramenta que acelera bastante a recuperação dessas pessoas. Então, elas vêm a praticar o esporte, colocam uma prótese, voltam a trabalhar, a estudar. Isso é uma coisa que acompanhamos em vários atletas que tiveram esse tipo de problema com acidentes”, disse.

Neste ano, o Brasil terá a maior delegação da história do país em Jogos Paralímpicos. Serão 285 atletas, sendo 185 homens e 100 mulheres, além de 23 acompanhantes (atletas-guia, calheiros e goleiros), e 195 profissionais técnicos, administrativos e de saúde.

Os Jogos Paralímpicos 2016 serão transmitidos pela TV Brasilem parceria com emissoras da Rede Pública de Televisão dos estados. O evento, que ocorre de 7 a 18 de setembro, terá a presença de 4.350 atletas de 160 países, competindo em 22 modalidades.
A cerimônia de abertura está marcada para o dia 7 de setembro.

Edição: Fernando Fraga

sábado, 27 de agosto de 2016

Tocha paralímpica é acesa no Palácio do Planalto


A menos de uma semana do início do revezamento da tocha paralímpica — que será em 1º de setembro em Brasília —, a chama foi recepcionada no Palácio do Planalto. Ouro em Londres-2012 nos 200 metros rasos, Yohansson do Nascimento recebeu o objeto das mãos do presidente da República interino, Michel Temer. Entre outras autoridades, o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, participou da cerimônia.


Ouro em Londres, Yohansson do Nascimento recebeu a chama do presidente da República interino, Michel Temer. 
Foto: Renato Araújo/Agência Brasília
“Nós, atletas, estamos treinando com afinco para alcançar a meta ambiciosa de ficar entre os cinco melhores”, discursou o velocista. No currículo, ele soma, em dois Jogos Paralímpicos (Londres e Pequim-2008), um ouro, duas pratas e um bronze. Na Inglaterra, a equipe brasileira terminou em sétimo lugar no ranking geral.
O governador de Brasília destacou a tradição do País nos Jogos e a importância do incentivo aos atletas. “O esporte tem sido um instrumento de inclusão social para todos, em especial para as pessoas com deficiência”, apontou Rollemberg.
Desejando sucesso aos atletas na competição, Michel Temer falou sobre o sucesso da edição olímpica. “Fomos capazes de organizar um evento que recebeu aplausos mundiais e vamos repetir isso com as Paralimpíadas”, apostou.
O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, ressaltou os investimentos do governo e o aumento crescente na venda de ingressos. “Precisamos não apenas tolerar as diferenças. Não gosto desse termo. Temos é de respeitar e valorizar”, acrescentou. Apenas ontem (24) foram vendidos mais de 145 mil bilhetes para o evento, que começa em 7 de setembro e vai até 18 do mesmo mês. Todas as disputas ocorrerão no Rio de Janeiro (RJ).
O revezamento da tocha paralímpica passará por cinco cidades, cada uma de uma região do Brasil. O percurso começará em Brasília. No dia seguinte, estará em Belém (PA). Depois, Natal (RN), São Paulo (SP) e Joinville (SC). Em 6 setembro, a chama desembarca no Rio de Janeiro. O trajeto será encerrado na cerimônia de abertura, em 7 de setembro.
Também participaram do evento hoje o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, e o presidente dos Comitês Olímpico do Brasil e Organizador Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman. A esposa do governador e colaboradora do governo de Brasília, Márcia Rollemberg, e a secretária do Esporte, Turismo e Lazer, Leila Barros, assistiram à cerimônia.
EDIÇÃO: MARINA MERCANTE

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"Sentimento é de dever cumprido", diz Nuzman sobre Rio 2016

  • 22/08/2016 17h55
  • Brasília
Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil*
Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente do Comitê Organizador Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman 
Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, comemorou nesta segunda-feira (22) a participação dos atletas brasileiros nos jogos olímpicos Rio 2016. Com 19 medalhas, sendo sete de ouro, número inédito, mais que o dobro da última edição, o país atinge o melhor resultado. Em 2012, em Londres, o Brasil conquistou 17 medalhas, sendo três de ouro. Quatro anos antes, em Pequim, foram 16 pódios e três medalhas douradas.
“Temos o dever cumprido em uma olimpíada com características que a gente já vem sentindo e falando, [que é] a diversificação de resultados por continentes e países”, afirmou Nuzman, voltando a parabenizar atletas, como fez na cerimônia de encerramento, na noite de domingo (21).
Com 19 medalhas, o Brasil não atingiu a própria meta do COB, de ficar entre os 10 primeiros lugares, terminando na 12ª posição, Porém, conseguiu espalhar bons resultados entre as competições, segundo análise do gerente executivo do COB, Marcus Vinicius Freire. O país participou de 71 semifinais, chegando em 4º ou 5º lugar em 19 vezes e subindo ao pódio em 12 esportes.
"Nos últimos quatro anos, temos mirado o aumento da abrangência do esporte brasileiro. Ou seja, ganhar medalhas, [participar de] finais, ou fazer top 10 em mais modalidades", disse. Em Pequim, foram oito modalidades, em Londres, nove, e agora, 12 modalidades, disse. "Ganhar medalhas é a melhor coisa do mundo, mas chegar perto mostra que o resultado foi bem feito", acrescentou, citando equipes que quase chegaram lá, como o futebol feminino.
Na soma de medalhas, o Brasil acabou empatado com Holanda, a frente da Espanha, na 16° colocação. Os primeiros lugares ficaram com Estados Unidos (121), China (70), Reino Unido (67), Rússia (56), Alemanha e Japão, ambos com 42 medalhas.
Investimento
Para chegar próximo desses países, saltando da 16ª posição, em Londres, para a 10ª, no futuro, o comitê reconhece que é preciso investir no esporte com muita antecedência.
"A meta de saltar do 16ª posição para a 10ª foi difícil, ousada, mas era factível, tanto que ficamos só três medalhas abaixo. Qual a diferença para os países que estão acima da gente? Vários quadriênios de investimentos que nós fizemos nesse", revelou Marcus Vinicius Freire."O que mostramos de 4º e 5º lugares, com mais alguns quadriênios, vão nos levar a ser uma potência", disse.
Nas contas do COB, nos últimos quatro anos foram injetados nos esportes olímpicos R$ 700 milhões, cerca de um quarto do que é depositado pelas cinco nações no topo do ranking.
Em meio à crise financeira no Brasil, o comitê é otimista e acredita que a composição variada do orçamento do órgão, formado por recursos públicos e privados, será mantida, incluindo a Lei Agnelo Piva, programas do Ministério do Esporte das Forças Armadas, patrocinadores privados e os clubes.
"Nos últimos anos, o formato de financiamento do esporte brasileiro mudou de forma favorável para nós. São vários agentes que formam esse financiamento", disse o ex-atleta. "Essa soma nos dá tranquilidade, pode ser [um investimento] um pouco menor de um para o outro, mas a saída ou diminuição de um não abala a estrutura e o desenvolvimento do esporte. Não temos a dependência de um financiador, como era antigamente", explicou.
Vitória do esporte
Na avaliação do COB, outra conquista desta olimpíada foi o surgimento de ídolos, como Thiago Braz, vencedor no salto com vara, e da ginasta Rebeca Andrade, que tendem a inspirar novas gerações e a visibilidade a modalidades menos conhecidas, como badminton e róquei.
O gerente-executivo do COB também considerou como pontos positivos o aumento da qualificação de profissionais do setor esportivo, incluindo as equipes técnicas e os jornalistas, impulsionada pela realização dos jogos em casa. Uma das apostas para a Rio 2016 foram as equipes multidisciplinares das confederações, composta por técnicos brasileiros e estrangeiros.
Evolução
No entanto, a evolução do Brasil foi baixa em comparação a outros países que já sediaram os jogos. De Londres para o Rio de Janeiro foram duas medalhas a mais para o Brasil, de 17 para 19. Na história, somente dois resultados foram piores: a Finlândia, em 1952, que em Helsinki ganhou duas medalhas a menos do que na edição anterior dos Jogos; e os Estados Unidos, que em Atlanta, em 1996, reduziram em sete o número de medalhas na comparação com Barcelona, em 1992.
Para Kátia Rubio, professora do departamento de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), entretanto, mais do que na quantidade de medalhas, a melhora real do desempenho do Brasil pode ser observada no número de decisões disputadas por atletas brasileiros. “Pelos números que eu vi, esse é um fato inédito: o Brasil chegou a três vezes mais finais do que em edições anteriores”, destacou.
Na natação, por exemplo, apesar de não terem conquistado nenhuma medalha, os nadadores brasileiros chegaram a oito finais, duas a mais do que em Londres. No atletismo, foram sete finais, contra três nos Jogos anteriores.
“O fato de estar em casa, claro que é um a mais, mas não é o que determina. Certamente o que determinou os resultados do Brasil foi toda a estrutura montada. Nunca antes uma geração teve tanto dinheiro investido em sua preparação como tiveram no Rio de Janeiro”, afirmou a professora.
O bom desempenho dos atletas britânicos na Rio 2016, que sediaram a Olimpíada passada, também deixou os torcedores esperançosos de que em Tóquio o Brasil finalmente consiga chegar ao final entre os dez melhores países, mas Katia Rubio faz um alerta.
“Não vai acontecer, e te digo porquê. Houve uma profunda mudança na estrutura do esporte britânico para que continuassem a ganhar em 2016. Agora, no Brasil, infelizmente o que a gente já está assistindo é um muro”, disse a professora. “Vários patrocinadores do esporte brasileiro já estão retirando seu patrocínio de imediato. Deve acabar Bolsa Atleta, acabar Bolsa Pódio. Já acabaram patrocínios estatal e privado. E a mídia também vai esquecer os esportes olímpicos”, avaliou.
Para Tóquio, o COB pretende traçar metas de desempenho ainda este ano.
Em balanço no domingo (21) sobre a participação do Brasil nos jogos, o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, disse que o governo federal continuará mantendo os programas Bolsa Atleta e Bolsa Pódio, pensando em um melhor desempenho dos atletas em Tóquio 2020.  Sobre melhorar os investimentos na preparação dos atletas, Picciani disse que está dentro dos projetos do governo, “mas precisamos que a economia cresça para que se possa investir mais no esporte”.
* Colaborou Felipe Pontes, de Brasília.
Edição: Maria Claudia e Carolina Pimentel

Jogos Olímpicos do Rio acabam com chuva, alegria e carnaval

  • 22/08/2016 00h16
  • Rio de Janeiro
Nathália Mendes - Enviada Especial do Portal EBC
Apesar da chuva, a festa de encerramento da Rio 2016 acabou em carnaval no Maracanã
Apesar da chuva, a festa de encerramento da Rio 2016 acabou 
em carnaval no Maracanã
Reuters/Kevin Lamarque/Direitos Reservados


























Em uma festa que reforçou o que tem de melhor e extrapolou as fronteiras fluminenses para falar da arte e cultura nacional, o Rio de Janeiro se despediu dos Jogos Olímpicos na noite deste domingo (21), em cerimônia realizada no Estádio do Maracanã. Em espetáculo pensado para ressaltar a criatividade do brasileiro e sua capacidade de criar com as próprias mãos, o tom foi de celebração e congraçamento.
No Maracanã, os mais de 200 países que participaram da Olimpíada de 2016 deram adeus ao Rio de Janeiro em uma cerimônia realizada sob chuva e com direito mais uma vez a muita música brasileira, principalmene o samba.
Em comparação à cerimônia de abertura, o encerramento teve orçamento e tempo reduzido, o que tradicionalmente acontece em Jogos Olímpicos. Além de receber um aporte financeiro menor, com cifras finais não reveladas pelos organizadores, a apresentação final também é mais curta. Enquanto a abertura se estendeu por quatro horas, o encerramento teve duração de 2h30.
A grande quantidade de lugares vazios, especialmente os mais próximos do gramado, chamou a atenção. O Maracanã ficou bem mais vazio do que na final do futebol masculino, disputada no dia anterior no mesmo estádio. Além disso, outros empecilhos testaram os criadores do espetáculo: o ensaio geral das coreografias só pode ser realizado horas antes do início da cerimônia. O tempo também não colaborou, com chuva, frio e ventos fortes durante quase toda a cerimônia.
A imagem do Cristo Redentor iluminou o Estádio do Maracanã
A imagem do Cristo Redentor, um dos cartões postais, 
 iluminou o Estádio do Maracanã
Reuters/Powel Kopczynski/Direitos Reservados


























Diante das limitações impostas pelo local da cerimônia, como o pouco espaço disponível, os lugares no nível do campo e as portas com menos de dois metros de altura, recursos artísticos que funcionaram na abertura, como projeções e coreografias, foram novamente utilizados.
Figura que dividiu brasileiros e norte-americanos durante a cerimônia de abertura, Santos Dumont voltou a ser evocado no encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Fotos históricas do inventor foram mostradas no telão do Maracanã. O personagem histórico, interpretado pelo ator Tuca Andrade, conferiu que era hora da festa começar em um relógio de pulso, uma de suas invenções. Projeções de engrenagens foram exibidas no chão do estádio, encerrando o breve ato inicial da festa.
Alguns dos cartões postais do Rio de Janeiro, como os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, tiveram suas formas moldadas pelos dançarinos. No total, três mil pessoas integram o elenco, sendo 300 dançarinos profissionais e 2,7 mil voluntários. O norte-americano Bryn Walters, um dos maiores especialistas em coreografias de massa e montagem e responsável pelas aberturas de Atenas 2004 e Londres 2012, assinou a coreografia do show.
O Hino Nacional brasileiro foi executado no batuque da percussão e entoado por um coro de crianças, representando cada uma das estrelas da bandeira do país, projetada no chão do estádio.
Delegações dos países que participaram da Rio 2016 desfilam no Maracanã
Delegações dos países que participaram da Rio 2016 desfilam no Maracanã
Reuters/Vasily Fedosenko/Direitos Reservados


























Em seguida, teve início a parada dos atletas, em um clima bem mais informal e descontraído do que se viu no dia 5 de agosto. Os competidores entraram em uma fila única, ao longo de um corredor formado pelos porta-bandeiras, em uma grande confraternização ditada por música eletrônica, repente e frevo.

Trabalho manual


O ato seguinte contou a história da arte popular brasileira, em suas diversas manifestações e extrapolando as fronteiras da cidade-sede. As pinturas e gravuras rupestres encontradas no parque arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí, ganharam vida com movimentos coreografados. No chamado "momento lembrança", Arnaldo Antunes declamou o poema "Saudade", de sua autoria, evocando a palavra que só existe em língua portuguesa.

A tradição das rendeiras foi exaltada ao som da tradicional canção "Mulher Rendeira", entoado pelas Ganhadeiras de Itapuã, grupo que resgata as antigas tradições do bairro de Salvador. Uma projeção criou a ilusão de que uma renda tinha sido tecida no chão do estádio. Em seguida, o grupo Corpo apresentou um trecho do espetáculo Parabelo, em ritmo de forró.

O público levantou-se logo nos primeiros acordes de "Asa Branca", uma das canções mais conhecidas de Luiz Gonzaga, improvisando uma ciranda nas arquibancadas. Em homenagem a mestre Vitalino e suas esculturas, os dançarinos foram caracterizados como bonecos de barro e mostraram passos do forró.



Vaias


Repetindo uma tradição olímpica, a cerimônia de premiação da maratona masculina aconteceu no meio do encerramento, na entrega das últimas medalhas dos Jogos. O ouro ficou com o queniano Eliud Kipchoge, a prata com o etíope Feyisa Lilesa e o bronze com o norte-americano Galen Rupp. Na apresentação dos atletas recém-eleitos para compor a Comissão dos Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI), a mais aplaudida foi a saltadora russa Yelena Isinbayeva.

Depois da homenagem aos voluntários da Rio 2016, em que o cantor Lenine apresentou uma versão feita para eles de sua música Jack Soul Brasileiro, a bandeira da Grécia foi hasteada e o hino do país entoado para o recolhimento da bandeira olímpica.

Na passagem para a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, o prefeito Eduardo Paes foi anunciado e acabou sendo muito vaiado. Em seu discurso, o presidente do COI, Thomas Bach, pontuou, em português: “Valeu, Brasil! Esses foram Jogos Olímpicos maravilhosos, na Cidade Maravilhosa”.
Os japoneses, anfitriões da Olimpíada de 2020, mostraram o que farão em Tóquio
Os japoneses, anfitriões da Olimpíada de 2020, mostraram o que farão em Tóquio
Reuters/Toby Melville/Direitos Reservados

























Toque oriental
Os próximos anfitriões também tiveram tempo de mostrar o que querem fazer daqui a quatro anos, em Tóquio. Em uma apresentação que começou com o hino japonês, se observou uma mistura de luzes, formas geométricas, tambores tradicionais (taikos) e a cultura dos videogames.

Os espectadores vibraram no momento em que o personagem Mario deixou a animação exibida no telão para "saltar" de um cano montado no centro do estádio. Na verdade, era o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, com os trajes do famoso encanador do mundo virtual.

Os japoneses também fizeram questão de agradecer, por meio de projeções da palavra "arigato" (que quer dizer obrigado) em vários idiomas, expressando gratidão ao mundo pela solidariedade e apoio prestados após o terremoto que devastou o país em 2011. No fim, eles fizeram o convite: "vejo você em Tóquio”.
Chuva

Carnaval
No momento em que Bach declarou os Jogos Olímpicos encerrados, um lamento ecoou das arquibancadas. A chama olímpica foi apagada em um ato cheio de simbolismo. Enquanto a cantora Mariene de Castro interpretava a música Pelo tempo que durar, de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto, uma chuva, que representa a abundância das águas tropicais, caiu sobre a pira, extinguindo o fogo.

A mensagem passada, no entanto, foi de renovação. Um grande árvore feita de cordas foi içada no centro da cena, em meio a colorida representação da flora brasileira, reforçando o início de um novo ciclo.

E o Maracanã virou carnaval com a chegada do Cordão do Bola Preta e de integrantes de escolas de samba, embalados pela marchinha “Cidade Maravilhosa”, hino da cidade do Rio de Janeiro.

O público ficou de pé para cantar as marchinhas que ganham o carnaval de rua e sambas-enredos consagrados. A festa ficou completa com a chegada de um carro alegórico, convidando os atletas a tomarem o gramado e acompanharem os fogos de artifício. Só faltou avisar que a festa tinha acabado: atletas, voluntários e o público continuou dançando, ao som do samba tocado nos alto-falantes, como se os Jogos estivessem só começando.
Edição: Armando Cardoso

Chama olímpica é apagada e marca fim da Rio 2016

  • 21/08/2016 22h29
  • Rio de Janeiro
Nathália Mendes - Enviada Especial do Portal EBC

Por fim, a maior festa brasileira ganhou o gramado do Maracanã, evocando a tradição dos blocos de rua de carnaval e o esplendor dos carros alegóricos que passam todos os anos pela Marquês de Sapucaí. Rainhas das escolas de samba, passistas, percussionistas e baianas juntam-se ao Cordão do Bola Preta para o último elemento da cerimônia, em um cortejo liderado pelo gari Renato Sorriso e a modelo brasileira Izabel Goulart.Depois de uma festa que exaltou a brasilidade, a chama olímpica foi apagada em um ato cheio de simbolismo: enquanto a cantora Mariene de Castro interpretava a música Pelo tempo que durar, de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto, uma chuva, que representa a abundância das águas tropicais, caiu sobre a pira, extinguindo o fogo. A mensagem, no entanto, não foi de finitude: uma grande árvore surgiu no centro da cena, ressaltando o novo começo.

Cerimônia de encerramento da Rio 2016
Cerimônia de encerramento da Rio 2016
Reuters/Leonhard Foeger/Direitos Reservados












Edição: Carolina Pimentel

Rio se despede dos Jogos Olímpicos com mistura de ritmos brasileiros


Nathália Mendes - Enviada Especial do Portal EBC*
2016 Rio Olympics - Closing ceremony - Maracana - Rio de Janeiro, Brazil - 21/08/2016. The Brazilian flag is seen during the closing ceremony. REUTERS/Pawel Kopczynski FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKET
Cerimônia de encerramento da Rio 2016























A cerimônia de encerramento da Rio 2016 teve início com voluntários vestidos de pássaros formando imagens de pontos turísticos do Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Em seguida, o cantor Martinho da Vila interpretou as clássicas Carinhoso, de Pixinguinha, e As pastorinhas, de Noel Rosa.
O Hino Nacional foi interpretado por um grupo de 27 crianças integrantes de um projeto social de Niterói, ao som de atabaques. Logo depois, as bandeiras dos países participantes dos Jogos Olímpicos desfilaram ao som de Tico-tico no fubá, interpretada pela cantora Roberta Sá, vestida de Carmem Miranda.
Quem levou a bandeira do Brasil foi o canoísta Isaquias Queiroz, que ganhou duas medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos.
Desfile dos atletas na cerimônia de encerramento da Rio 2016
Desfile dos atletas na cerimônia de encerramento da Rio 2016
Reuters/Vasily Fedosenko/Direitos Reservados

























A cerimônia de encerramento foi pensada para contar a história da arte brasileira, desde de seu início: com a pintura rupestre, passando pela arquitetura e o paisagismo, artesanato, dança e arte contemporânea, sempre permeada pela música nacional, em suas multifacetadas vertentes: samba, choro, MPB, frevo, cânticos tradicionais indígenas, ciranda, forró e marchinhas de carnaval são alguns do ritmos da trilha sonora, assinada pelo produtor musical Alê Siqueira. O som de várias gerações de músicos e intérpretes fazem parte do show, como Pixinguinha, Braguinha, Noel Rosa, Martinho da Vila, Carmen Miranda, Roberta Sá, Arnaldo Antunes, Heitor Villa-Lobos, Luiz Gonzaga e Ernesto Nazaré.

A festa exalta a inventividade do brasileiro e sua capacidade de criar com as próprias mãos, reforçando elementos marcantes da nossa identidade cultural, como as esculturas de mestre Vitalino e as rendas de bilro. O primeiro ato trouxe as belezas naturais do país, a diversidade da fauna e da flora e algumas das mais icônicas paisagens do Rio de Janeiro sob a perspectivas de pássaros. Por ser o adeus dos Jogos Olímpicos, o show também reserva momentos de reconhecimento do trabalho dos voluntários, com uma canção em homenagem a eles cantada por Lenine, e uma retrospectiva dos melhores momentos.
A chama olímpica será apagada em um ato cheio de simbolismo: enquanto a cantora Mariene de Castro interpretará a música Pelo tempo que durar, de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto. Uma chuva, que representa a abundância das águas tropicais, cairá sobre a pira, extinguindo o fogo. A mensagem, no entanto, não será de finitude: uma grande árvore surgirá no centro da cena, ressaltando o novo começo.

Por fim, a maior festa brasileira ganhará o gramado do Maracanã, evocando a tradição dos blocos de rua de carnaval e o esplendor dos carros alegóricos que passam todos os anos pela Marquês de Sapucaí. Rainhas das escolas de samba, passistas, percussionistas e baianas se juntarão ao Cordão do Bola Preta para o último elemento da cerimônia, em um cortejo liderado pelo gari Renato Sorriso e a modelo brasileira Izabel Goulart.
*Colaborou Sabrina Craide, de Brasília
Edição: Carolina Pimentel