Neymar, diante da história
© Getty Images
Nesta Copa das Confederações da FIFA, os torcedores brasileiros em geral puderam viver aquele tipo de experiência que os santistas tiveram nos últimos anos e pela qual os barcelonistas vão passar nas próximas temporadas. Aquela em que, quando Neymar recebe a bola, o estádio fica na expectativa de que algo especial está por acontecer.
Como no seu golaço contra o Japão, com menos de três minutos de torneio corridos no jogo de estreia. Ou como no finalzinho da partida contra o México, quando ele encontrou um espaço improvável para fazer uma incrível assistência para Jô marcar.
Bem, diante do confronto entre sua Seleção Brasileira com a Espanha, no Maracanã, domingo, é o próprio Neymar quem está do outro lado. É ele quem tem de lidar com a ansiedade de encarar um momento único do futebol, quiçá o jogo mais importante de sua jovem carreira. “É uma grande final, tem tudo para ser um jogo histórico, e a gente sabe disso”, disse ao FIFA.com. “Esperamos poder gravar nosso nome na história do futebol, ainda mais num estádio como o Maracanã.”
O atacante parou brevemente para conversar com nossa reportagem depois de uma extensa entrevista coletiva no Rio de Janeiro, que beirou os 30 minutos. E aqui fazemos um adendo necessário: sim, o garoto de 21 anos vive dias de ansiedade até a hora de entrar em campo no mítico estádio e enfrentar alguns de seus ídolos, que compõem hoje o time a ser batido mundialmente. Porém, não se pode confundir isso com nenhum tipo de nervosismo.
Cada vez mais solto e confiante de frente para o costumeiro batalhão de jornalistas, Neymar falava com a maior tranquilidade do mundo. Apesar de ele mesmo ter confessado que, na quinta-feira, após a duríssima classificação espanhola na disputa de pênaltis contra a Itália, havia dito ao companheiro Thiago Silva que a decisão bem poderia ser disputada já na sexta que se passou. “Mas tem de esperar, né?”, completa, rindo.
Para fazer história
Toda final, claro, mexe com o brio e os sentimentos dos jogadores. O craque da Seleção já viveu algumas delas pelo Santos. Sabe bem disso. Mas que tal agora o primeiro embate desta natureza em casa, num templo como o Maracanã? Com a camisa 10 canarinho? Contra adversários que estão entre seus preferidos no esporte, e com os quais já ganhou muitas partidas – no videogame? “O mundo inteiro esperava Brasil e Espanha na final, até nós. Vamos jogar contra os melhores do mundo, da melhor seleção do mundo.”
Neymar disse que, por tudo o que a Fúria acumulou de conquistas de 2008 para cá – dois campeonatos europeus e sua primeira Copa do Mundo da FIFA –, os oponentes da Seleção mereceriam a condição de favoritos no domingo. Mas calma lá, também: “A gente tem que ter o respeito, mas dentro de campo tem que se impor. A Espanha traz seus grandes craques, o Brasiltambém vai com os seus”.
“O que a gente tem de fazer é jogar futebol, sem depender de nada. Vamos enfrentar a melhor equipe do mundo, com os melhores do mundo, mas aqui temos um monte de jogadores talentosos. O respeito é grande, a admiração também, mas, dentro de campo, o nosso futebol é bonito e a gente confia muito um no outro. Podemos fazer uma ótima partida no domingo.”
Como se já não houvesse muitas coisas em jogo, a final da Copa das Confederações também marca sua despedida dos gramados brasileiros, como um jornalista o lembrou durante a coletiva. Depois do Maracanã, Camp Nou. Foi uma pergunta que o pegou realmente de surpresa. “Nem tinha pensado nisso”, disse o atleta, que, da torcida do Santos, se despediu em um jogo do Brasileirão, contra o Flamengo, no Estádio Nacional Mané Garrincha – justamente o palco do jogo de abertura do Festival de Campeões. Na ocasião, ele chorou ao cantar o Hino Nacional, ciente de que uma página importante de sua carreira estava sendo virada. ”Não sei como vai ser. Não sei se vai ter choro. Mas a emoção vai lá em cima, claro."
E não tem jeito, mesmo, de se segurar: muito além de um “até breve” aos torcedores brasileiros,Neymar se vê, em suas próprias palavras, aguardando um jogo que tem tudo para ser histórico. Para o qual ele espera dar sua contribuição. Aí, sim, transferindo a ansiedade para o público.
Nenhum comentário:
Postar um comentário